Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011

TERNURA FEROZ

 

beijo eterno o da lua na janela

os desejos vagueantes murmureiam

nesta noite de cambraia

em que arminho harpeia a lira…

vem

bebe estes suspiros balbuciantes

aplaca o sangue que ferve

morango sangrento nos lábios voluptuosos

bocas que se unem comungam o mesmo anseio

desencadeiam licores

veste-me o corpo com teus dedos quentes

como se não fossem só duas, as tuas mãos

alheios ao tempo

deixo cantar os poemas nunca escritos

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 14:51
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SUSPIRO

 

braços que envolvem a alma

mãos que afloram, que tocam

com garra

avesso exangue

no pensamento do sangue

sabor de beijos 

calor de lábios

calibram o desequilíbrio

em fonte de banho

a cor de dois

luminoso olhar de silêncio

ansiedade de sentir o calor da pele

o sabor do perfume de pele

línguas que se saboreiam

inteiro arrepiar

entrecortar de respiração

alagar do calor no ardor mais intenso

exalar embriagante da razão que se elanguesce

famintos, já não se ouve o canto das aves

fundem-se os corpos

fundem-se as almas

náufragas de bocas ensandecidas

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 14:48
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DELÍRIOS

 

aplacar do corpo a fome

assanhar de desejos

sublimar ardente paixão que consome

em sensuais brasas

olvidam-se os entraves

gemidos e suspiros de cristal

receber um coração e guardá-lo em terno abrigo

desnudar, arranhar de fera no corpo

mordicar a carne quente a cada palmo

furtar a cor do batom por lábios maduros

o corpo reclama o corpo

crescente volúpia

ajustar os olhos e sentir

a boca em louca festa de flores

ungido impudor

vence devasso êxtase

penetrar águas para ser!

ansiedade vibrante,

sonhos que fazem amor com fantasias

veias pulsantes, sangue que ferve,

corações palpitantes

banquete de espuma e carne

do néctar existente nos corpos ardentes

o desejo tem pressa

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 14:45
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SILÊNCIO SILENCIOSO

 

O peito é casa vazia

e sem árvore no Natal.

 

O rosto brilha

inundado de lágrimas…

O remanso da dor perpetua-a…

Calou-se o silêncio

no mundo tacanho…

A razão perdeu-se

algures na opacidade deste mundo que gira…

Os sonhos existem

a realidade é que está errada!

Sem vento soprada

a brisa imortal impõe mediocridade à vida.

O peito é casa vazia

mas com árvore no Natal….

 

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 14:44
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RELENTO

 

esmalte pálido

aguardo ao relento

o poisar do silêncio

aro em meus dedos

o olor, a fragrância de verde maçã

bordo

a ponto de areia a cor dos teus olhos

a ponto cadeia a força bravia dos braços

aguardo

não quero tecer mais saudade

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 14:41
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CIRCUNSPECTO OU IMPRUDENTE

 

despertar as pálpebras sonolentas

que desenformam um olhar audacioso

de firme desenho…

contemplar

quem passa alheio

à indescritível comédia da vida…

a boca ampla de que a natureza nos proveu

castra a palavra

mordendo os cantos inquietantes

nunca viçou barbara austeridade…

na vigília que compraza

tece júbilos ao gélido granito

inenarrável a pujança faustosa

do grotesco cruzar de braços

hirsutos verbos na abstinência do som

o embuçar do sono

o embebedar de sonhos

da palavra colorida

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 14:35
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MADRUGADA

 

Pelas traseiras, entra-se na madrugada

que consome a conta gotas

migalhas de memórias

anavalham

vagabundam vultos

omitem a dor do oco no estômago

há conversas diluídas num cais de amizade

nas brumas da ilusão

o corpo conta as gotas do tempo do destino

tenta-se engomar os sonhos

recito uma lágrima de um poema

as lágrimas são estreladas

desfoca-se o olhar

mantém-se o buraco cingindo a solidão dos dias

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 14:33
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PALAVRAS DE VIDRO

 

Até o fumo do cigarro foge de mim

nestas horas sem chão

criam-se sons

para não ouvir as gargalhadas da tristeza

ajoelham-se as palavras no vento

com velas de silêncio

inútil cremar impressões digitais do tempo

embalsamam-se momentos

                sou portadora de questões inquietas

de sombras vestidas de nada

palavras de vidro

e as estrelas mortas nos telhados…

talvez a loucura morra sem saber

a voz funde-se na distância

opaco este silêncio

uníssono o afastar do entender e da crença

e permite-se o descansar da raiz

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 14:30
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POEMAS DE PLÁSTICO, SEM CÔDEA

 

Em surdina gagueja-se a revolta

enferrujando versos

tenho a vida a crédito

nem raio de sol nem palavra com raiz

restos de vida perdidos em bolas de sabão

o remendar da alma

abrigo o beijo flor de lis

em meu peito que se evapora

exéquias à linha do horizonte

ampara-se o tombado coração

gela o grito do abutre que naufraga na nuvem

a brisa entristece

vegetam os dedos na mão

solta-se um miado à morte prometida

escrevem-se poemas de plástico, sem côdea

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

 

publicado por Edite Gil às 14:25
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